Injeção de R$ 5 bi no BB

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Banco do Brasil deve receber dinheiro do Tesouro para não ser obrigado a suspender operações de crédito

Banco do Brasil deve receber dinheiro do Tesouro para não ser obrigado a suspender operações de crédito

O Tesouro Nacional terá que injetar aproximadamente R$ 5,2 bilhões no Banco do Brasil se quiser manter intacta a sua participação de 65,4% no capital da maior instituição financeira da América Latina. Esses valores foram calculados com base na informação do presidente do BB, Aldemir Bendine, de que o processo de capitalização do banco por meio da emissão de novas ações, que está sendo preparado pelo governo, movimentará R$ 8 bilhões. Sem esse dinheiro, admitiu Bendine, o BB corre o risco de ser obrigado a suspender as operações de crédito a partir de 2011. A última vez que o banco emitiu novas ações foi em 1998.

Segundo Bendine, com a atual estrutura de capital, o BB tem folga para liberar, no máximo, R$ 100 bilhões em créditos a empresas e a consumidores. Como o objetivo da instituição é ampliar a sua carteira de empréstimos (R$ 302 bilhões) em pelo menos R$ 60 bilhões no ano que vem, restará pouco espaço para futuras operações. “Temos, no mínimo, um ano para fazer a capitalização. Mas não queremos deixar para a última hora, pois estamos em um forte processo de expansão do crédito. A ideia é não parar no meio do caminho para beber água”, destacou o executivo. A capitalização dará uma folga extra de mais de R$ 80 bilhões ao Banco do Brasil.

Para calcular a capacidade de ampliação do crédito, o BB leva em consideração o índice da Basileia, indicador internacional que limita as operações de acordo com o capital do banco. No país, o índice mínimo é de 11%. Ou seja, para cada R$ 100 emprestados, as instituições devem ter R$ 11 em patrimônio. Em setembro último, o índice do BB estava em 13%, considerado muito baixo pelo comando do banco. Em outubro, a instituição emitiu US$ 1,5 bilhão em títulos sem prazo de vencimento (bônus perpétuos), operação que elevou o índice de Basileia para 13,9% e abriu a folga para empréstimos de R$ 100 bilhões.

“O ideal é que a nossa Basileia fique entre 15% e 16%, um nível excelente. Ou seja, se elevarmos em dois pontos percentuais o índice, precisaremos de uma capitalização próxima de R$ 8 bilhões”, reforçou Bendine. A seu ver, não deverá nenhuma relutância por parte do Tesouro de cumprir a sua parte na injeção de capital no BB. “Creio que o Tesouro já topou. A não ser que queira parar o banco”, complementou o presidente do BB. Além do Tesouro, terão preferência para a compra de novas ações a Previ, o fundo de pensão dos empregados do banco, dona de 10,4% do capital da instituição; a BNDESpar, subsidiária do BNDES para o mercado de capitais, com 2,5%; e os acionistas minoritários, com 21,7%. Caso haja sobras das ações, elas serão(1) vendidas por meio de oferta pública.

1 - Expansão
Além da emissão de novas ações, os controladores do BB farão uma venda no mercado de uma parcela entre 4% e 5% do capital do banco, transação que deverá movimentar entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões. Essa operação (denominada secundária) faz parte de um acerto fechado pelo BB com a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para elevar a quantidade de papéis do banco em poder dos investidores (free float), dos atuais 21,7% para, no mínimo, 25% do capital total. O prazo para que esse compromisso seja cumprido expira em junho de 2011.

“Temos, no mínimo, um ano para fazer a capitalização. Mas não queremos deixar para a última hora, pois estamos em um forte processo de expansão do crédito”
Aldemir Bendine, presidente do BB

Mantido interesse no BRB

O Banco do Brasil vai insistir na compra do Banco de Brasília (BRB) dentro de sua estratégia de crescimento. “Continuamos conversando com a Secretaria de Fazenda do Distrito Federal (DF). A única coisa que está pendente é o preço. As duas partes contrataram consultorias para avaliar o BRB e chegaram a valores diferentes. Mas, mantemos nosso interesse”, disse o presidente do BB, Aldemir Bendine. As negociações se arrastam por quase dois anos e os valores colocados na mesa vão de R$ 600 milhões a R$ 1,2 bilhão.

Segundo ele, a demora está reduzindo o valor do BRB, pois o maior ativo da instituição, a folha de pagamento dos funcionários do Governo do Distrito Federal (GDF), passará a valer menos. É que, a partir de janeiro de 2012, os servidores terão a opção de escolher os bancos em que querem receber seus salários. Hoje, a exclusividade está com o BRB.

Os planos de crescimento do BB são, contudo, mais ambiciosos e vão além das fronteiras do país. A instituição está fechando a compra do Banco Patagônia, o sexto maior da Argentina, com ativos de R$ 4 bilhões (0,5% do total de ativos do BB) e forte presença em Buenos Aires. “Queremos crescer em todas as regiões no exterior onde há grande presença de brasileiros e forte atuação de empresas nacionais. Na Argentina, além do Banco Patagônia estamos conversando com outras instituições”, afirmou Bendine. Também estão sendo negociadas aquisições de bancos nos Estados Unidos (em Massachussetts e Nova Jersey, principalmente), no Chile, no Paraguai e em Portugal.

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