BB negocia compra de bancos no exterior

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Instituição confirma entendimento com o argentino Banco Patagônia e afirma que estuda outras aquisições fora do país

Instituição confirma entendimento com o argentino Banco Patagônia e afirma que estuda outras aquisições fora do país

Para manter expansão de empréstimos e aquisições, banco prevê aporte de capital de R$ 8 bi com o lançamento de ações no mercado
O Banco do Brasil iniciou uma série de negociações para comprar instituições financeiras no exterior, principalmente na América Latina, mas que inclui ainda os Estados Unidos.
Ontem, o BB confirmou as conversas com o Banco Patagônia, o quarto maior em agências na Argentina e que atua, principalmente, junto a funcionários públicos no país vizinho.
O objetivo dessas aquisições é fortalecer a atuação em países onde há uma forte presença de empresas e trabalhadores brasileiros. Hoje o BB tem pequenas estruturas em 23 países, mas ainda não tem condições de dar um apoio maior às empresas que atuam no exterior.
"Somos demandados por empresas brasileiras que atuam nesses países e estão em busca de "funding" [financiamento] com recursos locais. Onde tem fluxo tem de ter banco", disse o presidente do BB, Aldemir Bendine.
O Banco Patagônia enviou ontem à Bolsa de Buenos Aires um comunicado em que confirma as negociações com o BB. O Patagônia atende 720 mil clientes individuais e 38 mil empresas. Tem ativos no valor de US$ 2,2 bilhões, além de US$ 1,5 bilhão em depósitos.
Outro país que está na lista do Banco do Brasil são os Estados Unidos. Já existe um pedido no banco central norte-americano para que o BB possa abrir uma subsidiária. Mas a demora na aprovação pode levar o banco brasileiro a fazer uma aquisição. "Estamos vendo oportunidades para comprar ativos ou só a infraestrutura [agências]."
Para bancar essa expansão, o BB vai precisar de uma injeção de capital calculada em, pelo menos, R$ 8 bilhões. Esse dinheiro deve ser obtido por meio do lançamento de novas ações do banco no mercado já em 2010. A maior parte dos papéis ficará com a União, que deve bancar dois terços dessa capitalização. Sem esse dinheiro, o BB ficará impedido de realizar novos empréstimos a partir de 2011.
Segundo Bendine, esse é o valor mínimo necessário para que o banco possa voltar aos patamares de capitalização registrados no final de 2008. Na época, para cada R$ 100 emprestados pelo banco, havia R$ 15,2 no seu capital. Com as aquisições feitas recentemente, entre elas a da Nossa Caixa e de parte do Votorantim, o valor caiu para R$ 13, em setembro deste ano, pouco acima do limite de R$ 11 fixado pelo BC.
O banco prevê alta de 20% na carteira de crédito. Bendine disse que o banco possui hoje capital para garantir cerca de R$ 100 bilhões em financiamentos e deve emprestar pelo menos R$ 60 bilhões em 2010.
A capitalização precisa garantir também os projetos do banco de aumentar sua atuação no financiamento à infraestrutura. O BB já criou três grupos de trabalho, dois para acompanhar os projetos da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 e outro para negócios ligados à exploração do petróleo no pré-sal e outros segmentos.
Outro plano para o Brasil é aumentar o número de agências de 5.000 para 7.000, para que, em cinco anos, esteja em todas as cidades do país. Hoje, está presente em 70% delas.
O BB já iniciou o processo de capitalização para garantir a realização de todos esses negócios. Em outubro, vendeu US$ 1,5 bilhão em títulos de dívida no exterior. Em novembro, captou mais R$ 1 bilhão. Mesmo assim, ainda há necessidade de mais capital. Por isso, o banco quer fazer o primeiro lançamento de novas ações no mercado desde 1998.

Planos também incluem novas aquisições no país

Além das aquisições no mercado externo, o Banco do Brasil avalia a compra de mais instituições financeiras e de negócios na área de seguros dentro do país. Em janeiro, deve ser dada alguma "sinalização" em relação à possibilidade de o banco estatal comprar uma corretora de valores. Hoje, a instituição já possui uma participação de 50% na corretora do Banco Votorantim, mas não está descartada outra aquisição nessa área.
Outro negócio que segue indefinido é a compra de BRB (Banco de Brasília). O problema, nesse caso, não são as recentes denúncias contra o governador José Roberto Arruda (ex-DEM), mas o preço. Já foram feitas duas avaliações sobre o valor da instituição, mas os números do BB e do governo local não batem.
De acordo com o vice-presidente de Finanças do BB, Ivan Monteiro, há divergências entre os valores dos ativos e passivos da instituição. Ele destaca também que o principal atrativo do BRB é a folha de pagamentos do governo do Distrito Federal. Mas essa exclusividade acaba em 2012, quando os servidores poderão escolher o banco em que querem receber o salário. "O governo [do DF] acha que eles estão como se fosse há três anos. Mas, a cada dia que passa, os bancos regionais perdem atratividade por causa do fim dessa exclusividade."
O negócio de maior volume em 2010, no entanto, é a proposta do BB para comprar o IRB-Brasil (Instituto de Resseguros do Brasil), empresa estatal federal que possui hoje cerca de 90% do mercado de resseguros no Brasil e é líder dessa área na América Latina. Ainda não há informações sobre valores. A empresa tem hoje R$ 10,4 bilhões em ativos, o que representa cerca de 2% dos ativos do BB. A União possui 100% das ações ordinárias do IRB e 50% do capital total da empresa. A expectativa é que o BB compre apenas uma fatia desse controle.

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